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COP30: Brasil avança com plano nacional de arborização

  • Foto do escritor: Consultoria Green Forest
    Consultoria Green Forest
  • 17 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

A primeira semana da COP30, realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025, confirmou a relevância da Amazônia como palco central da diplomacia ambiental contemporânea. Com 56.118 participantes registrados, a conferência alternou tensões geopolíticas, anúncios financeiros bilionários e debates estruturais — mas nenhum deles repercutiu tanto na discussão nacional quanto o lançamento do Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), uma das políticas públicas mais ambiciosas já apresentadas pelo Brasil em um evento climático.



Em meio às divergências sobre combustíveis fósseis, financiamento internacional e metas do Acordo de Paris, o PlaNAU emergiu como um contraponto pragmático: uma proposta concreta de adaptação climática aplicada ao cotidiano das cidades brasileiras.


O Brasil leva às cidades a urgência que a diplomacia nem sempre alcança

O anúncio do PlaNAU — elaborado para ampliar a cobertura arbórea urbana e promover infraestrutura verde em escala nacional — repercutiu entre delegações latino-americanas e organismos multilaterais. Para muitos especialistas, trata-se da primeira política urbana brasileira com potencial de integrar clima, saúde pública, planejamento territorial e justiça socioambiental.

O plano estabelece:


  • garantir que 65% da população brasileira viva em ruas com pelo menos três árvores;

  • criar 360 mil hectares de áreas verdes urbanas em 10 anos;

  • priorizar municípios mais vulneráveis a ilhas de calor;

  • integrar arborização a estratégias de drenagem urbana, reduzindo impactos de chuvas intensas;

  • alavancar tecnologias de geoprocessamento e inventários florestais urbanos;

  • qualificar mão de obra técnica, ampliando o mercado para engenheiros florestais, agrimensores, analistas ambientais e especialistas em geotecnologias.


A apresentação do plano, em Belém, conectou a agenda climática global a temas urbanos que até então recebiam atenção marginal nas COPs. A repercussão positiva refletiu uma tendência crescente: a percepção de que a crise climática será sentida — e enfrentada — principalmente nas cidades, onde vivem mais de 80% dos brasileiros.


Infraestrutura verde como política pública de Estado


O PlaNAU foi considerado por negociadores estrangeiros como exemplo de política pública “de baixa emissão e alto impacto social”. Diferente de compromissos distantes, o plano parte de uma realidade objetiva: o país convive com aumento das temperaturas médias, intensificação das ondas de calor e crescimento acelerado das cidades em áreas sem planejamento ambiental.

Ao propor arborização estruturada e integrada ao zoneamento urbano, o PlaNAU atua em frentes críticas:


  • redução das ilhas de calor que ampliam riscos à saúde, sobretudo entre idosos;

  • melhora da qualidade do ar, afetada por emissões veiculares;

  • aumento da infiltração de água, reduzindo alagamentos recorrentes;

  • valorização paisagística e imobiliária, incentivando ocupações mais ordenadas;

  • bem-estar psicológico, com áreas verdes associadas à redução do estresse térmico.


O plano também estimula uma cadeia produtiva ambientalmente positiva, movimentando viveiros, equipes técnicas de arborização, empresas de manejo florestal urbano, consultorias ambientais e laboratórios de geotecnologias — setores alinhados às competências técnicas da Green Forest.


Amazônia como vitrine para políticas urbanas: um simbolismo estratégico

Apresentar o PlaNAU em Belém, cidade marcada pela umidade extrema, episódios de calor intenso e desafios históricos de drenagem, deu ao plano uma dimensão simbólica significativa. A própria experiência climática dos participantes — manhãs abafadas e tempestades abruptas — funcionou como ilustração das vulnerabilidades que as cidades brasileiras enfrentarão nas próximas décadas.



Delegados internacionais destacaram que a iniciativa brasileira contrasta com a hesitação de países desenvolvidos em apresentar políticas urbanas robustas de adaptação. Belém, nesse contexto, tornou-se vitrine de uma estratégia que une florestas tropicais e cidades — dois ambientes tradicionalmente separados na diplomacia climática.


Entre o PlaNAU e o financiamento global: a disputa por recursos


Embora reconhecido como essencial, o PlaNAU dependerá de financiamento contínuo e de capacidades técnicas instaladas nos municípios — desafios comuns às políticas de infraestrutura verde em países do Sul Global.


O debate sobre o Baku to Belém Roadmap, que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, tornou-se um ponto crucial. A delegação brasileira argumentou que parte desses recursos deve ser destinada à adaptação urbana, incluindo arborização planejada, manejo sustentável de áreas verdes e monitoramento por geotecnologias — temas recorrentes em projetos da Green Forest.


Internacionalmente, a proposta recebeu boa acolhida, mas enfrenta resistências de países que priorizam mitigação e energias renováveis. A disputa ficará para a segunda semana da conferência.


PlaNAU e a Governança Territorial: onde cidades e florestas se encontram


Para consultorias ambientais que atuam em regularização fundiária, georreferenciamento e projetos florestais — como a Green Forest — o PlaNAU inaugura um novo campo de atuação técnica. Isso porque:


  • exige inventários arbóreos precisos,

  • demanda planejamento espacial com algoritmos de cobertura verde,

  • requer estudos ambientais urbanos,

  • envolve mapeamento de áreas críticas para drenagem,

  • exige critérios técnicos para escolha de espécies,

  • precisa de projetos com forte lastro jurídico e territorial.


Na prática, trata-se de combinar a expertise aplicada em florestas e propriedades rurais com metodologias adaptadas ao ambiente urbano. É a primeira vez que uma política climática brasileira amplia essa escala de integração entre cidade e natureza.


Entre tensões e avanços: o PlaNAU como ponto alto de uma COP fragmentada

A primeira semana da COP30 foi marcada por avanços importantes — fortalecimento do TFFF, ampliação do debate sobre créditos de carbono, pressão por metas mais ambiciosas — e por frustrações previsíveis, especialmente no que diz respeito a combustíveis fósseis.


Mas, para o Brasil, o PlaNAU representou uma vitória diplomática e técnica. Demonstrou capacidade de apresentar políticas sólidas e replicáveis, com impacto direto na vida da população e aderência às recomendações científicas.

Enquanto o futuro do financiamento climático trilionário permanece em disputa, o plano brasileiro se destaca como resposta imediata e tangível à crise climática — ainda que dependa, para sua execução plena, de continuidade política e de investimentos consistentes.


Belém como símbolo: a urgência bate à porta das cidades


Ao sediar a COP30, Belém não apenas recebeu négociadores. A cidade simbolizou o choque entre ciência e política, entre discursos globais e realidades locais. Nesse cenário, o PlaNAU se consolidou como um dos anúncios mais concretos da conferência — uma ponte entre a proteção da Amazônia e o futuro das metrópoles brasileiras.


Entre o calor amazônico e as discussões diplomáticas, uma mensagem ecoou com força: o clima mudou — e as cidades precisam mudar também.

Se a COP30 será lembrada como a COP da virada ou da frustração ainda dependerá da segunda semana. Mas, para o Brasil, o PlaNAU já configura um legado.


Referências

AGÊNCIA BRASIL. Governo lança Plano Nacional de Arborização Urbana durante a COP30. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br. Acesso em: 17 nov. 2025.

AP NEWS. Global climate finance and forest protection efforts advance at COP30. Disponível em: https://apnews.com. Acesso em: 17 nov. 2025.

CARBON BRIEF. Global roadmap for US$ 1.3 trillion annual climate finance. Disponível em: https://carbonbrief.org. Acesso em: 17 nov. 2025.

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COP30 BRASIL. Belém Declaration and sustainable industrialization commitments. Disponível em: https://www.cop30brasil.com.br. Acesso em: 17 nov. 2025.

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GOVERNMENT OF BRAZIL (via ClimateClicker). Brazilian contribution to the Tropical Forests Forever Facility. Disponível em: https://climateclicker.org. Acesso em: 17 nov. 2025.

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REUTERS. Norway commits US$ 3 billion to Tropical Forests Forever Facility. Disponível em: https://www.reuters.com. Acesso em: 17 nov. 2025.

REUTERS. Baku to Belém Roadmap aims to mobilize US$ 1.3 trillion per year for climate finance. Disponível em: https://www.reuters.com. Acesso em: 17 nov. 2025.

S&P GLOBAL. Global Stocktake shows countries are far from reaching Paris Agreement goals. Disponível em: https://www.spglobal.com. Acesso em: 17 nov. 2025.

THE GUARDIAN. Brazil’s offshore oil plans raise concerns despite climate leadership stance. Disponível em: https://www.theguardian.com. Acesso em: 17 nov. 2025.

THE WASHINGTON POST. Countries face challenges implementing energy transition despite political commitments. Disponível em: https://www.washingtonpost.com. Acesso em: 17 nov. 2025.

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